Depois dos Créditos
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Series

Spider-Noir

2026
Nota

Sinopse

Um velho e azarado detetive particular na Nova York dos anos 1930 é forçado a lidar com o passado dele como primeiro e único super-herói da cidade.

A Resenha

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Bem, faz um tempo que eu não assisto coisas de super-heróis. A última coisa desse estilo que eu tinha assistido foi exatamente Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, e foi graças a esse multiverso que eu conheci o Spider-Noir.

Então, quando vi que teria uma série desse personagem com Nicolas Cage, fiquei logo interessado. Não tinha muitas expectativas, mas estava curioso principalmente por causa do noir. E que grata surpresa foi descobrir que, de fato, ele é muito bem utilizado aqui.

Isso porque a série encontra um equilíbrio muito interessante. Ela não é uma história de super-herói com estética noir. É uma história noir que possui personagens com superpoderes e acaba se tornando uma narrativa cínica de super-herói.

E acho que isso funciona tão bem porque a premissa é simples, o que acaba sendo um dos maiores acertos da trama. Eu não esperava terminar a série com aquela vontade de ver mais episódios, rindo das loucuras do Cage e, ao mesmo tempo, completamente envolvido com a investigação.

É uma história que entende muito bem o conceito de thriller noir. Vai para uma pegada meio clichê, sim, mas faz isso muito bem porque sabe exatamente o tipo de história que quer contar.

E falando assim, pode até parecer que ela está apenas reciclando elementos de filmes antigos. Mas a verdade é justamente o contrário. Spider-Noir é uma série muito louca. Sim, ela lembra praticamente todo filme de detetive dos anos 40, mas hoje em dia o que não lembra alguma coisa?

A diferença é que ela não usa essas referências como muleta. Tem o detetive amargurado, a cidade decadente, os criminosos excêntricos e as conspirações que parecem saídas diretamente de um romance policial da época.

Só que, ao mesmo tempo, tudo isso é atravessado pela energia caótica dos quadrinhos. Você tem personagens com habilidades absurdas, situações exageradas e um protagonista que resolve um mistério enquanto age como um homem que claramente precisa de terapia.

Arte sempre se alimenta de referências, e o legal aqui é justamente como eles misturam o noir clássico com o absurdo dos quadrinhos sem que uma coisa anule a outra. O resultado é uma série que parece familiar e original ao mesmo tempo.

Esse é exatamente o tipo de produção que costuma ganhar uma base de fãs muito fiel com o passar dos anos. Sinceramente, Spider-Noir tem toda a cara de que vai virar cult rapidinho.

Aliás, a sacada de lançar os episódios em duas versões, preto e branco ou cores vibrantes, mostra o quanto eles entendem o apelo da própria proposta.

Eu, sinceramente, assisti em preto e branco por causa de toda a estética noir que isso traz. Porém, gostei tanto da série que pretendo assistir tudo novamente na versão colorida.

E parte do motivo para isso é justamente como a ambientação dos anos 40 funciona tão bem. A Grande Depressão, os becos sujos, os diálogos rápidos. Tudo parece saído de um filme do Humphrey Bogart, mas com um herói da Marvel.

Claro que nada disso funcionaria se o elenco não acompanhasse o nível da ambientação. E Nicolas Cage entrega uma das atuações mais divertidas da carreira. Ele é durão quando precisa, cômico quando a narrativa pede e nunca economiza nas caretas. Está perfeitamente insano.

E é justamente isso que faz tudo funcionar tão bem. Essa versão maluca, carrancuda, cínica e envelhecida do Spider é simplesmente maravilhosa.

Devo dizer que Ben Reilly talvez tenha se tornado o meu Spider favorito. Existe algo nessa versão cansada da vida que me conquistou muito rápido.

Já Li Jun Li, como a cantora de boate, rouba a cena sempre que aparece. A personagem dela é misteriosa, afiada e tem uma química com o protagonista que encanta. É uma verdadeira femme fatale, talvez uma das melhores versões desse arquétipo que vi nos últimos tempos.

E, cara, como eu amo noir. Fazia muito tempo que eu não via uma produção utilizar tão bem todos esses conceitos de forma tão harmônica.

Talvez por isso o verdadeiro coração da série esteja justamente no tom. Ela é violenta, mas tem muitos momentos de humor. É sombria, mas nunca depressiva. Os dois lados convivem sem que um anule o outro, e todo o cinismo está perfeitamente encaixado nos diálogos.

E, honestamente, assistir em preto e branco é uma das melhores decisões que você pode tomar. Em vários momentos você até esquece que está vendo uma produção da Marvel. Parece um clássico dos anos 40, só que com muito mais pancadaria e super-heróis.

Além disso, o ritmo ajuda muito. Tudo nela poderia ser arrastado, afinal, é uma investigação noir. Mas os episódios são curtos, bem desenvolvidos e recheados de bons cliffhangers, daqueles que fazem você maratonar os oito episódios sem perceber o tempo passar.

A série também sabe quando aprofundar seus temas e quando simplesmente deixar a narrativa seguir em frente. Ela nunca sente a necessidade de complicar demais as coisas para parecer inteligente.

Isso faz com que os conflitos avancem naturalmente, os mistérios ganhem novas camadas. Em nenhum momento tive a sensação de que a série estava apenas preenchendo tempo de tela.

E eu valorizo muito isso, porque sou o primeiro a abandonar uma produção quando sinto que ela começa a andar em círculos. Aqui não.

Talvez seja justamente por isso que Spider-Noir funcione tão bem. Ela consegue ser divertida sem virar paródia, sombria sem ser cansativa e estilosa sem parecer que está tentando impressionar a qualquer custo.

No fim das contas, o que mais me conquistou foi essa mistura improvável entre o noir clássico e o caos dos quadrinhos. Parece uma combinação que não deveria funcionar tão bem, mas funciona.

Por tudo isso, sem dúvida nenhuma, Spider-Noir já entrou para a minha lista de favoritos do ano.

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