Depois dos Créditos
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Anime

Code Geass

2006
Nota

Sinopse

No ano de 2010, o Sacro Império da Britannia se consolida como uma potência militar dominante, iniciando sua ascensão com a conquista do Japão. Renomeado como Área 11 após sua rápida derrota, o Japão passa a enfrentar uma forte resistência contra esses tiranos em uma tentativa de recuperar sua independência.

Lelouch Lamperouge, um estudante britaniano, acaba infelizmente preso no fogo cruzado entre as forças armadas da Britannia e os rebeldes da Área 11. No entanto, ele consegue escapar graças ao aparecimento oportuno de uma garota misteriosa chamada C.C., que lhe concede o Geass, o “Poder dos Reis”. Ao perceber o enorme potencial de seu novo “poder de obediência absoluta”, Lelouch embarca em uma jornada perigosa como o vigilante mascarado conhecido como Zero, liderando um ataque impiedoso contra o Sacro Império da Britannia para finalmente se vingar de uma vez por todas.

A Resenha

Leia Abaixo

Tem animes que você assiste, curte e esquece. Tem animes que fica gravado na memória pra sempre. Code Geass está firmemente no segundo grupo, e eu digo isso com total convicção depois de ter assistido as duas temporadas mais de uma vez.

Eu sou apaixonado por Code Geass, sei que ele tem alguns problemas, clichês e conveniências, porém tem talvez o melhor final de todos os tempos dos animes, e isso já compensa muito.

A premissa é simples: um príncipe exilado recebe um poder sobrenatural e decide derrubar o império que destruiu sua vida. Ainda assim, Code Geass não é simples em absolutamente nada.

Cada episódio funciona como uma partida de xadrez, onde as peças são pessoas reais, com consequências reais, e Lelouch é o jogador mais frio e fascinante que você vai encontrar num anime. É justamente essa dinâmica que sustenta a complexidade da narrativa e mantém tudo em constante movimento.

O que me prendeu desde o primeiro episódio foi a forma como a série equilibra política, guerra e dilema moral sem nunca soar pesada demais. Você não precisa gostar de mecha pra se apaixonar por essa obra, porque os robôs são instrumentos da narrativa, não o centro dela. O centro é Lelouch, o conflito dele, as escolhas que ele faz e o preço que paga por cada uma delas, e é isso que dá sentido a tudo.

A primeira temporada constrói esse universo com calma, apresenta o mundo, os personagens, as facções e vai escalando a tensão de um jeito que te deixa sem fôlego. Ao mesmo tempo, o ritmo tem alguns tropeços, sim. Alguns episódios no colégio quebram o ritmo das batalhas e parecem pertencer a outro anime, mas ainda assim funcionam como um alívio necessário antes das pancadas que vêm logo depois.

Dentro dessa construção, Kallen é um exemplo perfeito de personagem bem construído na primeira temporada. Ela começa como suporte e vai crescendo até virar um dos pilares emocionais da série. Além disso, cada personagem tem uma função clara na história, e quando algum deles sofre, você sente de verdade.

Tudo bem, existem personagens secundários que não são bem explorados, mas isso não é um grande problema, até porque o anime precisaria de no mínimo mais cem episódios para conseguir trabalhar de forma justa cada um dos bons personagens que são apresentados.

Quando a segunda temporada, R2, chega, a energia muda completamente. Ela é mais intensa, mais caótica, mais emocional, e Lelouch atinge outro nível de profundidade. Aos poucos, você começa a entender que ele não é um herói nem um vilão, e essa ambiguidade se torna o coração pulsante da série. Ele faz coisas que você não esperaria dele, toma decisões que machucam, e mesmo assim você continua do lado dele.

Seguindo esse ritmo, as reviravoltas em R2 são absurdas. Literalmente cada episódio termina com uma virada que te obriga a começar o próximo imediatamente. Em alguns momentos, chega a ser ridículo de tão improvável, e sabe o que é curioso? Ainda assim funciona. A série é tão boa, tão divertida, e te pega de um jeito tão diferente que você aceita o absurdo como parte do pacote.

Visualmente, Code Geass envelheceu bem, o que reforça ainda mais sua identidade. O design dos personagens pelo CLAMP é inconfundível, com aquele estilo de corpos alongados e expressões dramáticas que cria uma identidade visual única.

Além disso, as batalhas com os Knightmare Frames têm intensidade e escala, com aquela qualidade Sunrise que impressiona mesmo nos momentos mais caóticos da ação.

Junto disso, a trilha sonora merece menção especial. “COLORS”, do FLOW, ainda é um dos melhores temas de abertura da história dos animes. As músicas carregam um peso emocional que amplifica cada cena ao invés de apenas acompanhar. Inclusive, quase chorei quando ouvi a abertura ao reassistir, e não é exagero.

Mas o que mais me impressiona em Code Geass é a capacidade de tratar os seus personagens sem julgamento. Ninguém é puro herói, ninguém é puro vilão. O Império Britannia é brutal e opressor, mas ainda assim tem personagens do lado britanniano com humanidade e profundidade.

Essa recusa em simplificar o bem e o mal eleva a série muito acima da média, principalmente do que vemos na indústria dos animes.

Por isso, quando chegamos à resolução das duas temporadas, o impacto é ainda maior. É uma das mais corajosas que já vi num anime. O final não entrega o que você espera, entrega algo melhor: algo que dói, que faz sentido e que fica na cabeça por semanas.

Poucos animes terminam com essa clareza e essa coragem narrativa. Ela consegue fazer o que Attack on Titan tentou: fazer você entender que o protagonista cometeu genocídio por um motivo, e que ele sabe que o que fez é algo extremo e será marcado na história.

Tanto o protagonista quanto a história têm coragem de assumir a escolha absurda, extrema e principalmente maligna de assumir a postura de um ditador para impedir que o ódio continue se propagando.

Ainda assim, claro que existem escorregadas. Personagens que aparecem, somem e voltam sem desenvolvimento suficiente, e algumas subtramas da R2 parecem apressadas perto do clímax. Além disso, o ritmo irregular entre comédia escolar e drama político de guerra é uma escolha questionável que divide opiniões. Mesmo assim, nenhum desses pontos diminui o impacto geral da obra.

No fim, Code Geass é o tipo de anime que redefine o seu parâmetro de qualidade. Depois dele, fica difícil se satisfazer com protagonistas rasos ou histórias sem consequências reais.

Lelouch é um dos personagens mais completos que esse meio já produziu, e a jornada dele, com tudo que funciona e tudo que tropeça, ainda vale cada minuto investido. E o final dele, sempre que eu assisto, eu choro.

Se você nunca assistiu, para e vai lá agora. Se já assistiu, sabe exatamente do que estou falando.

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